17 de ago. de 2007

Proletariada

Aí eu tomei vergonha na cara e comecei a fazer auto-escola. De manhã. Como a vergonha já tinha sido toda gasta no momento da matrícula, faltou pra não me atrasar pras aulas. Decidi pegar carona com o meu pai, portanto, que assim não tem erro: chego quarenta minutos antes.
No primeiro dia eu fui reparar que o CFC tá fechado às 7:20 da madrugada. Nem adiantaria estar aberto, porque as muitas pessoas que pegam ônibus na parada que fica ali na frente se enfiam no nicho da porta pra se proteger do vento, enquanto os atrasados que não couberam ali tomam conta do resto da fachada do prédio.
Claro que eu não ia ser diferente, me escorei também. Aí puxei um cigarro e me imaginei parte da classe proletariada. Quando terminei, tirei da bolsa parcialmente descosturada uma maçã - que eu não tinha tido tempo pra comer em casa - enrolada num papel-toalha vagabundo e comecei a morder. Ali, na parada, com todo mundo olhando, as pessoas imediatamente à minha direita e à minha esquerda provavelmente sentindo o cheiro da fruta, de tão próximos que estávamos um dos outros. Enrolei o caroço no papel toalha e devolvi pra bolsa. Tinha um lixo bem próximo, mas eu não podia arriscar perder meu escoro na parede do CFC para aquela mulher que tinha retocado a estampa gasta da própria bolsa com uma caneta de gliter. Ela me cuidava.
Puxei mais um cigarro, esse pra ter o que fazer. Aí, às 7:45 o CFC abriu as portas, acabando com a minha vida de trabalhadora.

Sim, eu sou uma burguesa fdp. :)

Nenhum comentário: